Como fazer a separação de colônias de abelhas nativas de forma segura e eficiente

A separação de colônias de abelhas nativas, conhecida também como divisão de colônias, é um dos procedimentos mais técnicos e importantes no manejo de abelhas sem ferrão.

Praticada para aumentar o número de colmeias em um apiário ou mesmo para impulsionar iniciativas de preservação, a separação deve ser feita com cuidado e método para garantir o bem-estar tanto da colônia original quanto da recém-criada.

Em apicultura urbana, onde as abelhas contribuem para a biodiversidade de quintais, varandas e pequenos jardins, a técnica de separação também assume um papel crucial. No entanto, ela requer conhecimento específico e as ferramentas certas para o processo ser seguro e eficiente.

Detalharemos aqui, os passos essenciais para realizar a separação de colônias de abelhas nativas sem ferrão em pequenos apiários urbanos, com dicas práticas para minimizar o estresse dos insetos e garantir o sucesso do procedimento.

O que é a separação de colônias e porque ela é importante?

A separação de colônias é um método que permite ao meliponicultor (criador de abelhas nativas) aumentar o número de colmeias em seu apiário sem precisar capturar novas abelhas na natureza. A prática consiste em dividir uma colônia-mãe bem estabelecida em duas colônias independentes, sendo a segunda instalada em uma nova colmeia.

Além de replicar as colônias, a separação é uma estratégia para:

  • Promover o crescimento controlado do apiário, respeitando o equilíbrio ecológico;
  • Aumentar a polinização em espaços urbanos;
  • Criar novas colmeias para doação ou venda, incentivando outras pessoas a entrarem no mundo da apicultura sustentável.

No entanto, a separação feita de forma inadequada pode gerar stress excessivo para as abelhas, comprometer a saúde das larvas e até mesmo enfraquecer a colônia original, tornando-a vulnerável a fatores externos, como predadores e mudanças no ambiente.

Quando realizar a separação de colônias?

O primeiro passo para uma separação bem-sucedida é identificar o momento ideal. Nem todas as colônias estão preparadas para esse processo, e forçar uma separação antes da hora pode colocar em risco tanto a colônia-mãe quanto a nova colônia.

Indicadores de uma colônia com preparo suficiente
  1. Colônia forte e estabilizada: A colônia-mãe deve estar bem povoada, com discos de cria saudáveis e potes de mel e pólen suficientes para sustentar os dois grupos;
  2. Número adequado de operárias: Uma colônia pronta para separação apresenta uma quantidade expressiva de operárias, que são responsáveis pelo provimento de alimento e proteção da nova colônia;
  3. Abundância de discos de cria: Para que a separação ocorra com eficiência, a colônia deve possuir discos de cria em estágios diferentes de desenvolvimento (ovos, larvas e pupas). Isso assegura o nascimento contínuo de novas abelhas na colônia recém-formada;
  4. Condições climáticas: Dias quentes e secos são os mais adequados para evitar problemas como umidade elevada, que pode prejudicar os discos ou potes transferidos.

Ferramentas necessárias para a separação

A separação de colônias envolve delicados movimentos e manipulação direta na estrutura interna da colônia. Por isso, contar com as ferramentas certas evitará danos e facilitará o processo. Confira abaixo os itens indispensáveis:

  • Pinça de manejo: Para manipular discos de cria e pequenos potes de mel sem danificar suas estruturas;
  • Espátula de colheita: Facilita a remoção de discos presos à cera ou à própolis;
  • Caixa modelo isca ou caixa de transporte: Para acomodar temporariamente as partes transferidas para a nova colônia, reduzindo o estresse;
  • Lanterna de inspeção: Para garantir que discos e compartimentos sejam retirados com precisão, especialmente em locais mais escuros da colmeia;
  • Máscara de proteção: Protege o criador enquanto minimiza o incômodo às abelhas durante a separação.

Como fazer a separação de colônias de forma segura e eficiente

A seguir, apresentamos um passo a passo detalhado para o manejo da separação de colônias em pequenos apiários urbanos. É importante seguir os procedimentos cuidadosamente, planejando cada etapa para evitar contratempos.

Passo 1: Escolha da colônia-mãe

Selecione uma colônia forte, estável e madura. Use os indicadores descritos anteriormente para avaliar sua condição. Um erro comum é tentar realizar o processo em colônias jovens ou com poucos discos de cria, o que pode levar ao colapso de ambas as colônias.

Dica prática: Faça uma inspeção prévia do ninho com uma lanterna, verificando visualmente o estado dos discos de cria e a quantidade de operárias circulando.

Passo 2: Preparação da nova caixa

Antes de começar, prepare uma colmeia adequada para receber a nova colônia. A caixa deve ser limpa, seca e devidamente equipada com uma entrada ajustável (usando um redutor de entrada, por exemplo). Certifique-se de que há espaço suficiente para acomodar os discos transferidos sem pressioná-los.

Passo 3: Abrindo a colônia-mãe

Com uma espátula, abra a parte superior da colônia-mãe com cuidado, evitando rompimentos ou abalo na estrutura interna do ninho. Durante esse processo:

  • Evite movimentos bruscos, que podem estressar as abelhas;
  • Inspecione os discos de cria para identificar grupos com larvas em diferentes estágios de desenvolvimento.

Passo 4: Transferência dos discos de cria

Utilize a pinça ou a espátula para remover, gentilmente, dois a três discos de cria acompanhados por potes de mel e pólen. É essencial que esses discos estejam em boas condições – rachaduras ou danos podem comprometer as abelhas em processo de maturação.

Dica para apiários urbanos: Reduza o número de discos transferidos, limitando a colônia nova ao mínimo necessário para iniciar de forma independente, já que recursos naturais como flores podem ser limitados em áreas urbanas.

Passo 5: Introdução do novo grupo na nova colmeia

Instale os discos transferidos no centro da nova colmeia, garantindo que estejam fixos e não inclinados. Se possível, adicione uma pequena quantidade de própolis ou cera da colônia-mãe ao redor da nova estrutura para estimular as operárias a habitarem o espaço.

Dica prática: Algumas espécies, como a abelha Jataí, adaptam-se melhor quando a entrada da nova colmeia é posicionada na direção do sol nascente.

Passo 6: Monitoramento pós-separação

Nos dias que seguem a separação, observe atentamente o comportamento das abelhas. É normal que as operárias levem algum tempo para se organizarem na nova colônia, mas sinais como:

  • Abandono da colmeia;
  • Pouca movimentação;
  • Falta da rainha (caso as abelhas não comecem a coletar material rapidamente) indicam que algo pode estar errado.

Riscos e como preveni-los

Mesmo seguindo as etapas certas, alguns riscos podem surgir durante ou após o processo de separação. Para garantir segurança e eficiência, veja como lidar com desafios comuns:

  1. Rainha ausente ou rejeitada
    • Certifique-se de que a rainha permaneça com a colmeia-mãe. Uma forma de prevenir isso é realizar uma inspeção detalhada para identificar sua localização antes de manipular a estrutura.
  2. Falta de recursos na colônia nova
    • Transfira potes de mel extra ou complemente a alimentação com substâncias orgânicas específicas para abelhas nativas.
  3. Ataque de predadores, como formigas
    • Verifique o isolamento da nova colmeia colocando um redutor de entrada e apoiando-a em um suporte elevado.


Ao longo deste artigo, vimos que a separação de colônias de abelhas nativas é uma prática essencial para expandir pequenos apiários urbanos e promover a biodiversidade.

Para garantir o sucesso do procedimento, é necessário planejar cada etapa cuidadosamente, preparar as ferramentas adequadas e respeitar o tempo natural de organização das abelhas.

Com atenção a cada detalhe, do preparo das caixas à acomodação do novo grupo e um monitoramento assíduo, você pode transformar essa técnica complexa em um ato eficiente de preservação sustentável.

Pequenos espaços urbanos podem se tornar santuários para esses incríveis polinizadores, ajudando a manter o equilíbrio ecológico nas cidades.


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